EUROPA SEM ESTRATÉGIA O IMPASSE PROLONGADO DA GUERRA NA UCRÂNIA
Este posicionamento decisivo, contudo, alterou profundamente a diplomacia europeia, retirando à União Europeia o papel de mediador neutro perante o Kremlin. Ao converter-se no principal pilar logístico contra a invasão, a UE viu Moscovo priorizar o diálogo com Washington, ignorando as instituições de Bruxelas. Paralelamente, a Rússia aproveita a resiliência económica vinda das exportações de energia para financiar uma guerra de exaustão, apostando que o tempo e o desgaste político no Ocidente jogam a favor dos interesses de Vladimir Putin.
O futuro desenha-se como um "conflito congelado" que ameaça a segurança na Europa e a estabilidade económica de todo o continente. Sem uma visão clara de "fim de jogo", as lideranças europeias preparam-se para uma nova era de divisão, onde a geopolítica mundial é ditada pela resiliência militar e autonomia energética. A frustração de ser um financiador sem poder de decisão reflete o desafio da UE em encontrar uma autonomia estratégica num sistema internacional onde a força bruta parece ter substituído as normas do direito internacional.
